Rio Grande do Norte

Saúde

Casos de coronavírus se intensificam no interior do RN

Pequenas cidades potiguares registram as primeiras mortes por COVID-19, alarmando moradores e autoridades

Brasil de Fato | Ceará Mirim (RN) |
No RN, letalidade provocada pela covid-19 é de 5,1 para cada 100 mil habitantes - Handout / National Institutes of Health / AFP

Segundo o monitoramento feito pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), da UFRN, o Rio Grande do Norte apresenta 31 óbitos provocados pelo novo coronavírus e outros 646 casos confirmados. Estão ainda sob suspeita 3089 casos. Atualmente, nosso índice de letalidade da doença é de 5,1 para cada 100 mil habitantes

Os dados revelam que a COVID-19 vem se alastrando pelo interior do estado e deixando perdas, econômicas, mas também de vidas. A cada dia vão se registrando novos casos (suspeitos e confirmados) em pequenas cidades potiguares.

Hoje (21), a Secretaria Municipal de Saúde de Ipanguaçu (Semus) constatou a primeira morte em decorrência do coronavírus no município. A vítima é um homem de 52 anos com diabetes, que trabalhava transportando frutas entre o RN e outros estados. 

Ele, que começou a apresentar os sintomas após viagem para Pernambuco, estava internado no Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, desde o dia 14 de abril e faleceu na noite de ontem (21).

Em suas redes sociais, o prefeito de Ceará Mirim, Júlio César Soares Câmara (PSD), também registrou a primeira vítima fatal na cidade. Trata-se de uma mulher de 70 anos que estava internada no Hospital Municipal Dr. Percilio Alves. O município ainda consta com 08 pessoas infectadas, outras 39 apresentam sintomas e estão sob investigação. 

Esses dados alertam para a interiorização do vírus, que chega a cidades que apresentam falta de estruturas nas unidades de saúde e número restrito de profissionais para atender essa nova demanda. Cenário faz com que o isolamento social - medida recomenda pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para controle da doença -, seja ainda mais importante.

O governo de Fátima Bezerra (PT) tem, nos últimos  dias, emitido decretos mais duros para diminuição do fluxo de pessoas na rua em todo o estado. Medidas têm sofrido resistência por parte de comerciantes locais. População critica falta de fiscalização para que as políticas de controle da doença sejam efetivadas.

Brasil
Segundo Ministério da Saúde, Brasil tem 2.906 mortes e 45.757 casos de coronavírus. Dados da Associação Brasileira Médica apontam que, em um mês, médicos registraram 3.181 denúncias sobre falta de equipamentos de proteção individual (EPI) no atendimento a pacientes com COVID-19 em todo país. São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre são as cidades com mais registros de reclamações.

Ações no RN
Nesta ultima terça-feira (21), a governadora Fátima Bezerra se reuniu com lideranças empresariais, a exemplo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN (Fecomércio-RN) e da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Norte (FCDL-RN). 

Os empresários exigiram que a governadora garantisse a reabertura do comércio, prevista para essa quinta-feira (23). Os representantes comerciais apresentaram um documento no qual afirma que cerca de 46 mil estabelecimentos comerciais do segmento varejista não estão enquadrados como essenciais pelos decretos do governo e estão fechados.

Segundo as entidades representativas, estes estabelecimentos empregam mais de 54 mil potiguares, direta e formalmente, e pagam cerca de R$ 67 milhões em salários. Logo, o impedimento do funcionamento dessas lojas pode interferir no equilíbrio econômico do estado.

Em resposta, o Governo do estado estuda prorrogar o fechamento do comércio e determinação de isolamento social até pelo menos o dia 5 de maio, quando, então, quadro epidemiológico será analisado junto a Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP-RN) e demais órgãos técnicos que buscam a prevenção ao COVID-19. Novo decreto é esperado amanhã.

Edição: Isadora Morena