Rio Grande do Norte

PRECARIZAÇÃO

Artigo | 1º de maio: Nada a comemorar. Precisamos lutar!

Uberização, nefasta forma atual de trabalho, mostra que precisamos superar o atual modelo societário

Brasil de Fato | Ceará Mirim (RN) |
Ato de motoristas de Uber
Em maio de 2019, trabalhadores pleiteavam a regulamentação dos serviços de transporte por aplicativos, a luta precisa ser muito mais ampla. - Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em meio a crise política que castiga o Brasil desde o golpe de 2016, a classe trabalhadora para por um intenso processo de precarização. A gradativa retirada de direitos trabalhistas e o desmonte sindical levou a classe trabalhadora brasileira a uberização. 

O materialismo histórico dialético - método compreensivo da realidade cunhado pelos filósofos Karl Marx e Friedrich Engels - é atual e nos ajuda a entender cada etapa desse processo.

Em 1848, na obra “Manifesto do Partido Comunista”, Marx e Engels foram certeiros ao argumentarem que “a burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, portanto as relações de produção, portanto as relações sociais todas”.

Desde a gênese do processo de construção e legitimação do capitalismo, a classe trabalhadora participa de um desigual cabo de guerra político-econômico para que possam lutar por direitos. Do outro lado está o interesse pelo incessante aumento da acumulação de capital por parte do Estado e da burguesia. O primeiro cria legitimidade jurídica para a dominação do segundo. 

É diante desse contexto que o dia primeiro de maio, Dia Internacional do Trabalho, deve nos lembrar: a luta pela legitimidade trabalhadora vem sendo a mais desigual desde o início da ideologia neoliberal: a tecnologia está sendo usada violentamente a favor do capital; vivemos uma produção ideológica incessante de fake News; a crise econômica que nos assola; a pandemia e a crise sanitária que ela amplifica; o desemprego crescente e a humilhação com as filas a esmo para receber o sofrido auxílio emergencial. 

A classe trabalhadora sustenta a sociedade capitalista! Sem ela, o capital não se organiza. Quer uma prova? Os empresários e a classe média (que acha que é alguém na base produtiva) foram às ruas pedindo para os trabalhadores voltarem ao trabalho em plena pandemia, pois sem o trabalhador, tudo está praticamente parado, o dinheiro não circula como antes e o capital não é gerado.

Os trabalhadores são essenciais. Imagina se não fossem os profissionais da saúde, da educação, dos serviços de segurança pública, limpeza, comunicação e tantos outros durante a pandemia? Imagina como seria o atual transporte de pessoas e mercadorias se não fossem os trabalhadores de aplicativos superexplorados para vender a sua força de trabalho? 

Os processos de extração da mais-valia (trabalho não pago que gera lucro ao empregador) são infinitos. Precisamos conscientizar a classe trabalhadora que o 1º de maio é uma dia de luta por direitos, não um dia romântico. Esse dia só existe, pois operárias foram mortas de modo brutal por quererem melhores condições de trabalho no século XIX.

Karl Marx estava correto e tem um argumento irrefutável para esse cenário: a classe trabalhadora foi tragada pelo processo acumulativo da indústria e da maquinaria moderna ao incorporar a tecnologia no ambiente produtivo e moer a classe trabalhadora obrigando-a a vender sua força de trabalho para que “todo sobrevalor, qualquer que seja a sua forma particular, lucro, redito, rendas, etc., é, em substância, a materialização de um trabalho não pago” (Karl Marx em O capital).

Que possamos lutar contra o discurso ideológico fascista que já se pratica em nosso país, que possamos eliminar o vírus que esmaga o proletariado: o sistema capitalista!

Edição: Isadora Morena